29 de Janeiro a 7 de Fevereiro de 2010
“Nos tempos mais antigos, teve a castanha um papel preponderante na alimentação do povo da Lousã, assim como as hortaliças, caça, alguns produtos de animais domésticos, juntamente com pão, trigo e centeio. Depois vieram o milho e a carne de açougue, e mais tarde a batata e o arroz, o peixe seco (bacalhau e outros) e o peixe de água doce – trutas e bogas desde há muito são que utilizados, uma vez que estavam acessíveis no rio Arouce ou mesmo no Ceira.
Gastava-se uma maior quantidade de azeite, mas relativamente pouco vinho. O arroz doce nunca falta nos casamentos, com belos desenhos e letras bordadas com canela.
Nos últimos tempos do século XIX a alimentação da maior parte dos lousanenses resumia-se ainda à broa (em geral de milho amarelo, moído nas muitas azenhas espalhadas ao longo dos rios e levadas), hortaliças (couves e nabos), batatas, feijão, arroz, sardinha, azeitonas e bacalhau (sobretudo na Quaresma).”
Os pratos de caça (javali, veado, perdiz e lebre, entre outros), têm sido aqueles com aceitação mais generalizada, cativando os comensais que, apesar de bem servidos e satisfeitos, encontrarão sempre espaço para as típicas sobremesas (muito variadas, mas onde pontifica a doce Tigelada Lousanense, com Mel Serra da Lousã). Para a digestão de todas estas iguarias nada melhor que o tradicional Licor Beirão.
A Serra e este Território produzem, no seu todo, tudo aquilo que apresentamos e que neste momento elegemos associado a um modo de vida saudável. Esta é a “slow food” na sua forma mais genuína. Alimentos (animais e vegetais) produzidos localmente, manuseados pelas mãos experientes de quem tem gerações de saber fazer por detrás, com um tempo de confecção muito pouco de harmonia com a rapidez e o stress dos dias de hoje, degustados, saboreados e deglutidos ao ritmo do lento apreciar das coisas do campo, genuínas, nossas!